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O relatório norueguês da Ukom (2023) sobre o atendimento de gênero a jovens
Em 9 de março de 2023, a comissão de investigação norueguesa Ukom (Statens undersøkelseskommisjon for helse- og omsorgstjenesten) publicou seu relatório sobre a segurança do paciente para crianças e jovens com incongruência de gênero. A Ukom recomenda, entre outras coisas, definir os bloqueadores da puberdade e o tratamento hormonal e cirúrgico de afirmação de gênero para crianças e jovens como «tratamento experimental» (utprøvende behandling) (fonte). A Suécia, a Finlândia e a Dinamarca também descrevem uma abordagem mais cautelosa.
O que é a Ukom e o que ela fez
A Ukom investiga incidentes graves e outras situações graves no sistema de saúde norueguês, com o objetivo de torná-lo mais seguro (fonte). A investigação sobre crianças e jovens surgiu de alertas de familiares enviados diretamente à Ukom; vários atores, entre eles autoridades, profissionais de saúde e organizações de pacientes e familiares, também questionavam a segurança e a organização da oferta de atendimento (fonte). A Ukom não define diretrizes por conta própria: recomenda que a diretriz nacional da Direção de Saúde (Helsedirektoratet) seja revisada.
Principais conclusões
- O conhecimento, sobretudo o baseado em pesquisa sobre o tratamento de afirmação de gênero (hormonal e cirúrgico), é insuficiente e os efeitos de longo prazo são pouco conhecidos; isso vale em especial para adolescentes, em quem a estabilidade da incongruência de gênero também não é conhecida (fonte).
- A Ukom considera que a diretriz nacional se afasta da exigência de diretrizes baseadas em conhecimento e carece de uma revisão sistemática da evidência; ela não estabelece requisitos específicos para a avaliação nem para a indicação médica e, para alguns pacientes, pode representar um risco para a segurança (fonte).
- A oferta e a competência variam muito entre as regiões, com risco de subtratamento, supertratamento e tratamento inadequado (fonte).
- Como as consequências do tratamento são grandes e em parte irreversíveis, e o conhecimento é insuficiente, a Ukom considera que são necessárias exigências mais rigorosas para uma avaliação responsável (fonte).
- A Ukom descreve um clima de debate difícil, em que se teme dar um passo em falso de todos os lados (fonte).
As recomendações da Ukom
- Que o Ministério da Saúde encarregue a Direção de Saúde de revisar a diretriz nacional, com base em uma revisão sistemática da evidência.
- Que os bloqueadores da puberdade e o tratamento hormonal e cirúrgico de afirmação de gênero para crianças e jovens sejam definidos como tratamento experimental, sobretudo para adolescentes com disforia de gênero.
- Que o Ministério avalie a criação de um registro nacional de qualidade para o tratamento de crianças e jovens.
Segundo a Ukom, aplicar os princípios do tratamento experimental ofereceria um quadro que garante informação e acompanhamento minucioso, e contribuiria para gerar mais conhecimento (fonte).
Problemas psicológicos concomitantes
A Ukom cita o serviço nacional de tratamento, segundo o qual 75 por cento das pessoas encaminhadas têm uma doença mental, sendo depressão e ansiedade os diagnósticos mais comuns, e cerca de uma em cada cinco tem transtorno do espectro autista, TDAH/TDA ou síndrome de Tourette; a Ukom observa que isso coincide com os números suecos (fonte). Veja também o que descreve a Cass Review sobre problemas concomitantes.
A Noruega na Cass Review
O relatório final da Cass Review cita a Noruega, junto com a Bélgica, a Finlândia e a Dinamarca, entre os países cujas diretrizes exigem, para os bloqueadores, uma disforia ou incongruência de gênero de longa data (parágrafo 14.15 do relatório; fonte).
Em norueguês, utprøvende behandling. A Ukom escreve que os princípios do tratamento experimental ofereceriam um quadro que garante informação e acompanhamento minucioso, e contribuiriam para gerar mais conhecimento. A Ukom recomenda classificar assim os bloqueadores da puberdade e o tratamento hormonal e cirúrgico de afirmação de gênero para crianças e jovens.
Não. A Ukom fez recomendações, entre elas revisar a diretriz nacional e definir certos tratamentos como experimentais; o relatório não estabelece as regras.
A Ukom cita o serviço nacional de tratamento: 75 por cento das pessoas encaminhadas têm uma doença mental (sobretudo depressão e ansiedade) e cerca de uma em cada cinco tem transtorno do espectro autista, TDAH/TDA ou síndrome de Tourette.